“liberdade foi ter podido escolher o que queria fazer da vida mesmo se não sabia nada da vida para escolher.” planos para o feriado vermelho: descer a avenida com um cravo na mão e força na voz. dar um passeio à beira rio com o meu sobrinho. fazer o supermercado da semana. simples. realidade do feriado vermelho: empenada. como as portas que não fecham, os motores que gripam, o pé coxo da mesa. o meu lado revolucionário (literalmente) entrou em falência nos últimos seis meses. já se sabe que o corpo-é-que-paga e o meu tem pago às prestações. começou tudo há dois anos com um pé mal colocado e zás!, andei o ano seguinte a ignorar um moínha irritante porque me convenço sempre que se ignorar a dor ela vai acabar por desistir de mim (porque é que não consigo fazer isso com as outras dores?). depois começou tudo a subir por aí acima reivindicativamente, apossando-me como se o corpo já não fosse meu e zás!, vi-me assim impedida de exercer a mais básica liberdade: … Continue a ler Anita rebel
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