Almoços Grátis, Arquivo 2009-2013, Sociedade

Almoço Grátis Nº1: Equidade Social

Eating the Profits - John George Brown

Eating the Profits - John George Brown

Felicidade: A Ciência em que Há Almoços Grátis

Os indicadores económicos têm sido muito importantes nas últimas décadas, durante as quais a maior parte das nossas necessidades materiais ainda não tinham sido totalmente satisfeitas. No entanto, à medida que as nações se tornam cada vez mais ricas, começamos a perceber que o que mais influencia o bem-estar dos cidadãos é cada vez menos o tamanho dos seus salários, mas a justiça das sociedades que habitam, as relações sociais que aí estabelecem, e o interesse que sentem pelo trabalho que desempenham.

Durante grande parte do século passado, o avanço civilizacional nos países ditos desenvolvidos, foi centrado na satisfação das necessidades materiais das suas populações (a era “não há almoços grátis”). Depois de a história ter permitido alcançar este patamar de crescimento, que trouxe também consigo novos patamares de degradação ambiental e injustiça social, entrámos numa nova fase em que, sem deixar de assegurar as necessidades materiais das populações, somos obrigados a alcançar novos patamares de desenvolvimento e bem-estar, através de um conjunto de políticas (os chamados “almoços grátis”) que mais do que aumentar os níveis de consumo dos cidadãos, permitam alterar a forma como estes se relacionam entre si.

Ao longo de 3 artigos, que simbolizam o início da coluna “Almoços Grátis” na Lust, iremos explorar 3 formas de alcançar novos patamares de desenvolvimento e bem-estar – ou seja, 3 formas de obter “almoços grátis”. Neste primeiro artigo, falaremos da Equidade Social; no segundo, das Relações Sociais; por último, no terceiro artigo, falaremos do Trabalho com Significado, e de um Princípio – de Heisenberg – que ajuda a explicar porque é que aquilo que uma sociedade mede determina os objectivos que os seus cidadãos procuram. Bom apetite!

Almoço Grátis Nº1: Equidade Social

O que a iniquidade social faz à nossa saúde tem permanecido uma questão de carácter pessoal e ideológico. No entanto, recentemente deixou de o ser.

Hoje sabemos que a iniquidade social é a causa de algumas das mais ricas nações do mundo serem também verdadeiros fracassos sociais. Através de estudos comparativos sobre a distribuição da riqueza entre diferentes países verificamos que nos países onde as diferenças entre ricos e pobres são mais pequenas, as estatísticas demonstram que a participação comunitária é maior e que as pessoas confiam mais umas nas outras. Existe também menor violência – incluindo taxas de homicídio mais baixas; a saúde tende a ser melhor e a esperança de vida maior.

A maior parte dos problemas sociais de um país, outrora atribuídos à pobreza em geral, devem-se, sabemos hoje, ao tamanho do fosso entre ricos e pobres: populações prisionais sobredimensionadas, gravidez na adolescência, iliteracia, obesidade, e até, desempenhos medíocres dos alunos na disciplina de matemática. Estas relações, para muitos porventura surpreendentes, foram demonstradas em mais de 170 (relação entre saúde e iniquidade) e cerca de 40 (relação entre violência e iniquidade) estudos. As evidências foram recolhidas pelo Epidemiologista Richard Wilkinson e divulgadas no seu livro The Spirit Level, não deixando dúvidas acerca da ideia de que a grande maioria das nações desenvolvidas já são ricas o suficiente e que apenas poderão melhorar o bem-estar dos seus cidadãos se distribuírem essa riqueza de forma mais equitativa – o que por exemplo já acontece nos países Escandinavos e no Japão.

Assim, e ao contrário de uma das mais importantes premissas da teoria económica clássica – “mais é sempre melhor” – começa actualmente a tornar-se evidente o contrário: a distribuição é mais importante do que o crescimento.


Próximos artigos da série Felicidade – A Ciência em que Há Almoços Grátis:

Almoço Grátis Nº2 – Relações Sociais.

Almoço Grátis Nº3 – Trabalho com Significado.


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Sou um psicólogo social, interessado em temas económicos e de consumo, e com a profunda convicção de que a felicidade das pessoas deve estar acima dos indicadores económicos e da saúde dos mercados. Assim, interessa-me explorar a relação entre o desenvolvimento económico e o bem-estar das populações. Nesse sentido, criei um blogue – There Are Free Lunches – onde coloco uma selecção de peças de informação sobre temas como a felicidade, economia comportamental, comportamento do consumidor, e tudo o que nos permita compreender de que forma os actores económicos do século XXI podem também ser pessoas felizes.