Almoços Grátis, Arquivo 2009-2013, Sociedade

Almoço Grátis Nº2: Relações Sociais

Eating the Profits - John George Brown

Eating the Profits - John George Brown

2º artigo da série Felicidade – A Ciência em que há Almoços Grátis.


A qualidade das relações sociais das pessoas é crucial para os seus níveis de bem-estar e felicidade. As pessoas precisam de vínculos sociais fortes através de relações autênticas, em vez de simples interacções com estranhos, para vivenciarem bem-estar. Os indicadores económicos não revelam a qualidade das relações sociais de uma família, organização, ou sociedade, e muitas vezes a criação de políticas baseadas apenas em análises económicas, pode mesmo ameaçar a qualidade das relações entre as pessoas e, desta forma, diminuir o seu bem-estar.

Uma grande quantidade de literatura sobre o tema demostra que as pessoas experienciam mais emoções positivas quando estão com outras pessoas do que quando estão sozinhas. Sabemos também que, das várias competências pessoais existentes, as que melhor predizem os níveis de satisfação com a vida das pessoas são as competências interpessoais. Estudos feitos com idosos demonstram que os níveis de satisfação com a vida superiores dos idosos que vivem no campo comparativamente com os que vivem na cidade se deve ao facto de estes possuírem maiores redes sociais familiares.

Não só a qualidade das relações sociais das pessoas origina níveis de satisfação com a vida superiores, também a sua falta causa problemas diversos. As pessoas com mais amigos apresentam níveis de stresse mais reduzidos e a prevalência de doenças mentais é maior entre pessoas solteiras e/ou que vivem sozinhas. Assim, o isolamento social parece correlacionar-se fortemente com os níveis de bem-estar. As relações sociais positivas e de suporte são fundamentais para o bem-estar humano e as pessoas valorizam profundamente o sentimento de pertença a um grupo, associação, ou instituição, e sofrem quando são ostracizadas ou postas de parte.

Apesar da importância das relações sociais no bem-estar das populações, este é mais um factor não capturado pelos indicadores económicos existentes. Quando algo não é medido não existe e se não existe não pode ser influenciado através de políticas ao nível comunitário e organizacional que permitam restaurar a confiança e os laços existentes entre as pessoas, de forma a aumentar os seus níveis de bem-estar. Mais que isso, a investigação demonstra que o simples pensar em dinheiro – um traço marcante da sociedade de consumo – torna as pessoas menos disponíveis para ajudar colegas, doar dinheiro para causas humanitárias, ou decidir passar tempo com outras pessoas, precisamente um conjunto de comportamentos altamente relacionados com os níveis de bem-estar e felicidade humanos.

Mais uma vez, ao contrário de outra premissa central da teoria económica clássica – “cada cidadão deve promover o seu auto-interesse” – o estudo da realidade demonstra o contrário: preocuparmo-nos com os outros é a melhor forma de promovermos o nosso bem-estar.


Outros artigos da série Felicidade – A Ciência em que Há Almoços Grátis:

Almoço Grátis Nº1 – Equidade Social.

Almoço Grátis Nº3 – Trabalho com Significado.


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Sou um psicólogo social, interessado em temas económicos e de consumo, e com a profunda convicção de que a felicidade das pessoas deve estar acima dos indicadores económicos e da saúde dos mercados. Assim, interessa-me explorar a relação entre o desenvolvimento económico e o bem-estar das populações. Nesse sentido, criei um blogue – There Are Free Lunches – onde coloco uma selecção de peças de informação sobre temas como a felicidade, economia comportamental, comportamento do consumidor, e tudo o que nos permita compreender de que forma os actores económicos do século XXI podem também ser pessoas felizes.