I don’t blame you for not trusting people.

Os tantos que somos cá dentro. Martha Marcy May Marlene – Sean Durkin, 2011 A abertura do filme apresenta um dia normal numa quinta nas montanhas Catskill, mostrando cenas domésticas e tranquilas. Trabalho no campo. Grupos de homens e mulheres a tomar a refeição em separado. Exíguos quartos atolados de gente. Silêncio. Rapidamente, apercebemo-nos de que algo não está bem. Assistimos de seguida à fuga de Marcy May pela floresta, filmada de câmara ao ombro, evidenciando a inquietação e sobressalto que se adivinham na história. O filme de estreia de Sean Durkin é um filme sobre um culto, que pode vir a ser um filme de culto. Martha Marcy May Marlene pode até ser visto como um estudo psicológico de caso, centrado na história de uma mulher de identidade fracturada, que regressa a um quotidiano aparentemente normal (prefiro a palavra “normativo”) após dois anos a viver numa comunidade de hábitos inabituais. Ao conseguir escapar, encontra protecção junto da irmã mais velha e do cunhado – um reencontro longe de ser cicatrizante – que nada sabendo … Continue a ler I don’t blame you for not trusting people.