Romeu adorava aquela velha poltrona. Ele comia naquela poltrona, bebia naquela poltrona, via televisão naquela poltrona. Uma vez, há pouco mais de um lustro, ainda o cabedal tinha aspecto de novo, Romeu chegou a convencer Julieta a fazer amor naquela poltrona. Se é que se pode chamar àquilo “fazer amor”; Julieta sentou-se no colo do seu homem e passou dois minutos aos saltinhos no seu falo, enquanto Romeu lhe tocava o corpo semi-nu com a mesma paixão com que mudava os canais no comando. Foi das últimas vezes que fizeram amor. Naqueles dias Romeu até dormia na sua ergonómica poltrona reclinável. Julieta desistira de o convencer a levantar-se e ir para a cama. Dava demasiado trabalho. * Segundo Romeu, aquela poltrona tinha um só defeito; não dispensava que ele tivesse de se levantar para ir à casa de banho. Sempre exercitava os músculos. Mas para que é que ele precisava de músculos? Bastava ser capaz de mudar de canal, ou de esticar o braço para pegar nas travessas de comida que Julieta lhe pousava na … Continue a ler Preguiça – A morte de Romeu
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