Arquivo 2009-2013, Sociedade

Protocolo à Vista – Na Rede

Protocolo à Vista - Na Rede, Margarida de Mello Moser

Michael Sowa, Dompteur (Domador)



Está na hora de fixar as regras do Código de Conduta do utilizador da internet. Quando falamos da Comunicação do Século XXI, falamos das chamadas novas tecnologias e de todos os instrumentos que elas põem à nossa disposição.

Os computadores e os telemóveis revolucionaram de facto a comunicação mas, principalmente revolucionaram as nossas vidas.

A internet permite-nos comunicar com mais agilidade, com mais rapidez e de forma mais eficaz para o quarto ao lado ou para o outro lado do mundo praticamente em simultâneo.

A informação corre a uma velocidade difícil de prever e de controlar e por isso temos que conhecer as vantagens e as desvantagens do sistema antes de carregarmos em qualquer tecla.
A informação circula na internet, espalha-se, divulga-se, capta-se ao segundo, e às vezes é no segundo seguinte que temos que dar resposta à informação que nos traz.

O atropelo de informação provocado por esta enchente de novos dados não permitiu que se criassem códigos de comportamento para se navegar na internet, códigos que são necessários, dir-se-ia mesmo imprescindíveis, por um número infindável de razões que se prendem fundamentalmente com a segurança e a privacidade de pessoas, bens, empresas, informação, enfim, com tudo, afinal.

Estão na moda (e na rede) o Twitter, o Facebook, o Plaxo, o Hi5, como aliás tantas outras redes que juntam amigos e pessoas com interesses mais ou menos comuns, pessoas que gostam de comunicar e que fazem circular informação sem acautelar privacidade – a sua e a dos outros -, divulgando com frequência e indiscriminadamente dados pessoais e profissionais.

Têm, é certo, uma vertente lúdica importante e uma utilidade profissional já com um peso significativo. Mas o seu crescimento e alargamento deve obrigar os utilizadores a ter cuidados redobrados no seu uso e na informação difundida.

Está na hora de fixar as regras do Código de Conduta do utilizador da internet.

Nesse código cabe obrigatoriamente, talvez mesmo em primeiro lugar, um alerta para o mau uso da língua portuguesa e o abuso dos maus tratos a que é sujeita em rede.

As abreviaturas usadas inicialmente com timidez já surgem com naturalidade em qualquer mensagem escrita o que, dado o que se tem verificado nos últimos anos, nos faz acreditar que daqui a uma década – ou talvez nem tanto -, assumam o seu lugar numa nova edição de um qualquer dicionário de língua portuguesa. É uma perspectiva verdadeiramente assustadora.

Protocolo em Rede ou na Rede, Netiqueta, ou Código de Comportamento em rede são alguns dos nomes que podemos dar a este Código de Conduta que define as regras que nos ajudam a estar ao computador com elegância, com respeito pelos outros e pela sua privacidade e com segurança, navegando na internet, como diz Cláudia Matarazzo (especialista em etiqueta e actual Chefe de Cerimonial do Governo do Estado de S. Paulo), com o comportamento de um lorde inglês, não com o do pirata da perna de pau.

Massacrar quem está do outro lado da linha, encaminhando indiscriminadamente qualquer mensagem que nos chega, é talvez um dos melhores exemplos de como não nos devemos comportar. É frequente as informações importantes que recebemos perderam-se afogadas no meio de ondas de encaminhamento que a maior parte das vezes não nos trazem nada de novo, nada de interessante e nem sequer nada de divertido.

É pois uma regra de ouro que a acompanhar uma mensagem encaminhada, haja palavras dirigidas à pessoa a quem se destina, personalizando o envio e mostrando que por uma qualquer razão mais privada, mais profissional ou mais lúdica, achamos que a informação lhe interessa.

Há outro exemplo aterrorizante que nos faz sempre sentir saudades dos velhos cartões de boas festas que tanta trabalheira nos davam a responder: as mensagens de boas festas colectivas que são para todos e para ninguém, que falam no plural para quem deviam falar no singular e que falam no singular para quem deviam falar no plural. Protocolo em Rede? Este é um grande exemplo de falta dele. Por isso se aponta mais esta regra de ouro: personalize com uma palavra, com uma expressão, com uma atenção, com uma referência que faça sentir ao destinatário que a mensagem que lhe está a enviar lhe é efectivamente dirigida.

O mundo do protocolo em rede já é um grande mundo. Dele fica aqui apenas o começo.

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