Está na hora de fixar as regras do Código de Conduta do utilizador da internet. Quando falamos da Comunicação do Século XXI, falamos das chamadas novas tecnologias e de todos os instrumentos que elas põem à nossa disposição.
Os computadores e os telemóveis revolucionaram de facto a comunicação mas, principalmente revolucionaram as nossas vidas.
A internet permite-nos comunicar com mais agilidade, com mais rapidez e de forma mais eficaz para o quarto ao lado ou para o outro lado do mundo praticamente em simultâneo.
A informação corre a uma velocidade difícil de prever e de controlar e por isso temos que conhecer as vantagens e as desvantagens do sistema antes de carregarmos em qualquer tecla.
A informação circula na internet, espalha-se, divulga-se, capta-se ao segundo, e às vezes é no segundo seguinte que temos que dar resposta à informação que nos traz.
O atropelo de informação provocado por esta enchente de novos dados não permitiu que se criassem códigos de comportamento para se navegar na internet, códigos que são necessários, dir-se-ia mesmo imprescindíveis, por um número infindável de razões que se prendem fundamentalmente com a segurança e a privacidade de pessoas, bens, empresas, informação, enfim, com tudo, afinal.
Estão na moda (e na rede) o Twitter, o Facebook, o Plaxo, o Hi5, como aliás tantas outras redes que juntam amigos e pessoas com interesses mais ou menos comuns, pessoas que gostam de comunicar e que fazem circular informação sem acautelar privacidade – a sua e a dos outros -, divulgando com frequência e indiscriminadamente dados pessoais e profissionais.
Têm, é certo, uma vertente lúdica importante e uma utilidade profissional já com um peso significativo. Mas o seu crescimento e alargamento deve obrigar os utilizadores a ter cuidados redobrados no seu uso e na informação difundida.
Está na hora de fixar as regras do Código de Conduta do utilizador da internet.
Nesse código cabe obrigatoriamente, talvez mesmo em primeiro lugar, um alerta para o mau uso da língua portuguesa e o abuso dos maus tratos a que é sujeita em rede.
As abreviaturas usadas inicialmente com timidez já surgem com naturalidade em qualquer mensagem escrita o que, dado o que se tem verificado nos últimos anos, nos faz acreditar que daqui a uma década – ou talvez nem tanto -, assumam o seu lugar numa nova edição de um qualquer dicionário de língua portuguesa. É uma perspectiva verdadeiramente assustadora.
Protocolo em Rede ou na Rede, Netiqueta, ou Código de Comportamento em rede são alguns dos nomes que podemos dar a este Código de Conduta que define as regras que nos ajudam a estar ao computador com elegância, com respeito pelos outros e pela sua privacidade e com segurança, navegando na internet, como diz Cláudia Matarazzo (especialista em etiqueta e actual Chefe de Cerimonial do Governo do Estado de S. Paulo), com o comportamento de um lorde inglês, não com o do pirata da perna de pau.
Massacrar quem está do outro lado da linha, encaminhando indiscriminadamente qualquer mensagem que nos chega, é talvez um dos melhores exemplos de como não nos devemos comportar. É frequente as informações importantes que recebemos perderam-se afogadas no meio de ondas de encaminhamento que a maior parte das vezes não nos trazem nada de novo, nada de interessante e nem sequer nada de divertido.
É pois uma regra de ouro que a acompanhar uma mensagem encaminhada, haja palavras dirigidas à pessoa a quem se destina, personalizando o envio e mostrando que por uma qualquer razão mais privada, mais profissional ou mais lúdica, achamos que a informação lhe interessa.
Há outro exemplo aterrorizante que nos faz sempre sentir saudades dos velhos cartões de boas festas que tanta trabalheira nos davam a responder: as mensagens de boas festas colectivas que são para todos e para ninguém, que falam no plural para quem deviam falar no singular e que falam no singular para quem deviam falar no plural. Protocolo em Rede? Este é um grande exemplo de falta dele. Por isso se aponta mais esta regra de ouro: personalize com uma palavra, com uma expressão, com uma atenção, com uma referência que faça sentir ao destinatário que a mensagem que lhe está a enviar lhe é efectivamente dirigida.
O mundo do protocolo em rede já é um grande mundo. Dele fica aqui apenas o começo.

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