A Turma do Mónico, Arquivo 2009-2013

Jorge Jesus, O Mestre da Táctica

Jorge Jesus, O Mestre da Táctica, Mónico Pedro

A extraordinária visão táctica de Jorge Jesus. O jogo não começa bem para o Benfica. A perder 1-0 em pleno Estádio da Luz, a cabeça de Jorge Jesus começa a fervilhar, analisando milhões de tácticas em cada minuto. Ele é considerado o Mestre da Táctica.

Dizem que é mesmo assim tão bom tacticamente. Como um jogador de xadrez, Jesus consegue antecipar o efeito de cada uma dessas tácticas e o efeito da contra-táctica do treinador adversário. “Se eu fizer isto, ele faz aquilo. Não é bom. Se eu fizer aquilo, ele faz aqueloutro. Não serve.”

Então, com o Benfica a perder desde os 25 minutos de jogo, o que é que faz o Mestre da Táctica? Ele espera, espera… sem fazer nada. O tempo passa. 30, 40 minutos. O Guimarães continua em superioridade. Jesus continua a esperar. “Estou a baralhá-los a todos”, pensa o Mestre. “Estão feitos num oito.”.

Vem o intervalo. As hostes vimaranenses estremecem só de pensar no Efeito Jesus ao intervalo. Nos balneários, temem, o treinador do Benfica vai operar uma qualquer recalibração na disposição em campo da sua armada, potenciando as qualidades superiores de Saviola, Di Maria, Ramires e Aimar.

Este medo de Jesus faz com que o treinador do Guimarães, que tem o simples nome de Paulo Sérgio, não consiga dizer muito aos jogadores “Malta, eu não vos vou dizer nada. Só sei que vem aí o dilúvio! Vai ser horrível! O Jesus vai revolucionar, ele é o Mestre da Táctica. Por isso, o melhor é ficarmos quietinhos. Vamos ficar na mesma, pode ser? Desculpem, não vos consigo dizer mais do que isto, não vale a pena. E agora, vá, vamos todos rezar. Dêem as mãos.”

No outro balneário, o Mestre da Táctica esfrega as mãos e sorri com malícia “Vou baralhá-los todos com esta. Vocês vão ver. Vai ser de Mestre. Vão dizer que eu sou melhor que o Mourinho.” Os seus pupilos estão claramente abananados, na presença de um ente quase divino. “Mestre, o que vamos nós fazer? Diga-nos!” Jesus olhava para aquelas 11 pequeninas criaturas com desdém. “Vocês não jogam nada, não prestam para nada. Se não for eu a dizer-vos o que fazer, vocês não ganham um jogo. A minha táctica para esta segunda parte vai estraçalhar completamente o adversário e é muito simples – nós não vamos mudar rigorosamente nada!”

Começa a segunda parte. A nova táctica promete, mas os jogadores do Benfica não conseguem ultrapassar a bem arrumadinha defesa minhota. Tudo na mesma. Passam 20 minutos. Como a táctica não resulta e o Benfica continua sem marcar, o Mestre tem de actuar mais uma vez. “Já só temos 25 minutos para marcar 6 golos. Tenho de fazer aqui uma alteração ainda mais extraordinária.”

Jorge Jesus surpreende, tirando um médio bom e colocando um avançado fraco. Paulo Sérgio nada pode fazer. “Por esta não esperava. É impossível prever cada acção do Mestre.”

Mas o Benfica não marca. Quinze minutos mais tarde, ainda a perder, o Mestre tira um segundo médio e põe mais um avançado. “OOOooohh!…” O estádio está ao rubro. “Por esta é que eles não esperavam. Cum camandro, sou mesmo o Mestre da Táctica.”

Mas os minutos continuam a passar e o Benfica continua a perder. “Tenho mesmo de fazer um coisa única. Uma coisa que baralhe completamente estes gajos. Já sei! Isso mesmo. Mesmo de Mestre: vou tirar um médio e pôr outro médio. Mas desta vez vou por um que ninguém conhece e isso é que vai dar mesmo cabo deles. Vai entrar aquele. Como é que ele se chama? O número 24. És médio, não és? Isso. Entra o 24!”



>Este texto é uma obra de ficção. Ainda que possa ser inspirado em acontecimentos ou episódios reais, não pretende veicular qualquer notícia ou facto da realidade. Mais, quaisquer afirmações ou citações nele eventualmente contidas não devem ser tomadas como fidedignas e não vinculam, sob qualquer forma, as pessoas ou entidades a quem sejam atribuídas ou associadas.



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