E se, de repente, eu dissesse que gosto de ti?
Ela procurou, na gaveta, por um bocado de papel amarfanhado, mal cortado, escrito a caneta vermelha. Uma falta de educação, como só dele poderia esperar. Ele era rude, vazio de boas maneiras, desbocado, sempre com um sorriso irónico ao canto da boca. E irresistivelmente atraente. Havia escondido o contacto dele na gaveta das meias como se com isso dissesse não vales nada para mim, por isso ficas com as meias. Um chuto no rabo. Mas, no fundo, sabia que se realmente ele não significasse nada, o papel teria ido parar ao balde do lixo e não à gaveta das meias. Encontrou-o e saiu do quarto. Sentou-se no sofá, a meia-luz, o papel colocado na mão e a televisão ligada num canal qualquer. Ligar-lhe seria dar o braço a torcer. Se não ligasse, passaria a tediosa noite de sexta-feira sozinha. Agarrou o telefone e discou o número, chateada consigo própria e com a chuva que, teimosa, a impedia de sair de casa. Uma voz sonolenta, transparente em meiguice, atendeu e ela quase fraquejou. Seria impensável imaginar … Continue a ler E se, de repente, eu dissesse que gosto de ti?
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