Fruto do Diabo

O fruto proibido é o mais apetecido. A laranja luzia na taça. A mulher olhava-a languidamente e imaginava a doçura da sua polpa. A casa não era sua e a laranja – ainda por cima a única – também não seria sua. E como o fruto proibido é o mais apetecido, aquela laranja importunava-a desde que a vira, ali, brilhante e com todo o ar de ser sumarenta. O jantar ia ser servido e os convidados saíam da cozinha. Não vens, Maria?, perguntou alguém. Vou só beber um copo-d’água. O seu coração batia como um louco. A boca salivava. Nas veias, o sangue deslizava quente, dando a sensação que o seu corpo ardia em febre. A criança pontapeou no ventre. Também queres, não é?_Sorrateiramente, deslizou os dedos pela bancada, tamborilando o mármore e observando a porta da cozinha. A laranja chamava-a. Mais corada, mais cheirosa, cada vez maior. Com perícia apertou-a por entre os dedos. Lá dentro, ouviam-se os risos e as gargalhadas, os copos de vinho nos seus _tchintchins_habituais, os talheres a chocarem com … Continue a ler Fruto do Diabo